Sempre que contei algo por aqui, deixei bem claro que nada veio de graça. Sempre frisei bem que tudo se tratou de passar por maus bocados na verdade, superar as deficiências e dificuldades à curto, médio e longo prazo.
1997 foi não apenas mais um desses anos, mas sim, um ano especial, onde pude aprender muito sobre o que é trabalhar duro pelas coisas e acima de tudo, fechar a boca, engolir as eventuais derrotas e seguir trabalhando mais.
A grandeza mora nos grandes. Parece óbvio não? Conversando num boteco na esquina, numa roda de amigos, sim, é óbvio, como meu irmão sempre diz "falar de Budo é muito fácil numa rodinha de amigos, fazer Budo é outra história". Não é óbvio, pelo menos para os fracos.
A grandeza está no que há de grande, coisas como a glória, a honra e o orgulho, que só os grandes possuem, porque trata-se basicamente de experiências acumuladas, de histórias sobre alegria, realização, mas acima de tudo, cicatrizes de uma trajetória de superação, "sem" dor, sem "última vez", sem nunca desistir daquilo que você acredita.
A grandeza mora nas tradições. Não é costume em tempos modernos as próximas gerações cantarem antes de uma Guerra, canções sobre as vitórias dos guerreiros do passado. Não é costume lutar e sonhar com um futuro, onde outros guerreiros cantem sobre a sua batalha. Não faz parte do nosso tempo.
Porém, grande é aquele quer quer o que ninguém tem, que sonha com o que ninguém sonha e nós vivemos lutando, sonhando com essas canções que nunca serão cantadas.
A grandeza mora nos grandes e não é óbvio nos dias de hoje. Engolir a sensação amarga faz parte do processo de evolução de quem entende e aprende o que é ser grande, olhando para quem é grande.
Olhava para o meu irmão e às vezes sentia raiva por não corresponder à altura. Os grandes vivem de honra, mas pagam suas contas com luta e sacrifício. 1997 era o ano de falar menos, contestar mais(a si) e treinar com tudo que eu tinha.
Os fracos não evoluem, só sofrem as cações do tempo. Os grandes fazem do tempo o que bem entendem. Para os grandes sempre se trata de levantar todos os dias dizendo a mesma coisa.
Eu quero, eu preciso.
Então, a evolução é só uma consequêcia.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
A óbvia evolução de 1997
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Pronto para as Seletivas
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
Crescendo no silêncio
Naquele ano do mundial da IKGA, lembro de ter visto meu irmão suar como nunca. Era um ano intenso, o Campeonato Mundial por si só, já era algo que requeria muita dedicação, responsabilidade, além disso, ainda existia o desafio de fazer a Shizuoka Goju-Kan crescer e plantar novas sementes com novas turmas, novos alunos, novas pessoas interessadas no caminho do Karate-Do.
Dos faixas pretas que atualmente continuam firmes e fortes com o Karate-Do e a Shizuoka Goju-Kan nos dias de hoje, a maioria deu seus primeiros passos, socos e chutes exatamente nesta época.
A época era dura, o terreno talvez aparentasse incerto na época, mas julgando pelo que se vê hoje, tudo indica que era sim um terreno fértil.
Não foi uma vez, nem duas vezes que vi dentro de casa o meu irmão sobrecarregado de coisas naquele ano. Acredito que esta imagem que sempre tive, dos "bastidores" faz muita diferenteça sobre a imagem que eu tenho do meu irmão como Sensei e exemplo à ser seguido. É fácil ver só o que você quer ver, o difícil é ver e conhcer o que se vê.
Nunca fui muito de falar nos treinos. Nunca fui muito de falar e comentar sobre os treinos em casa, nem mesmo com o meu irmão. Sempre aprendi mais observando os exemplos e fazendo perguntas para mim mesmo, sobre o que estava fazendo para ser grande, spbre o que eu estava fazendo para ser um exemplo. Ver os "bastidores", me fez entender muito e até hoje às vezes me pego lembrando das cenas daqiela época e penso comigo mesmo, que exatamente tudo que o meu irmão conseguiu até hoje, foi fruto de muito suor e trabalho. Não devia ser nada fácil e hoje, muitas vezes passando por situações parecidas, dou uma risada por entender situações de anos atrás.
A questão é que tudo na vida realmente tem um preço. Entretanto o que as pessoas esquecem, é que geralmente é necessário pagar antes de ter as coisas. Isso é como assinar um contrato sem ler e depois reclamar.
Com o volume de responsabilidades, número de aulas e treinamentos do meu irmão para o Mundial daquele ano, aumentaram por tabela, as minhas responsabilidades e treinamentos, mais bagagem para carregar nas costas, mais pedras no sapato e muitos kimonos para a minha querida mãe lavar.
Mais do que nunca, agora eu era "o irmão", mas tinha plena consciência de que tinha de ser "O" irmão. Com novos alunos entrando, eu tinha de me tornar um exemplo. Não tinha direito de falhar, não tinha direito de fracassar e não tinha direito de desapontar o meu irmão. Ter o direito, significava desapontar a si mesmo, esse era o ponto de vista que fazia com que eu me cobrasse em silêncio em cada treino. Se era para ser forte, eu tinha de ser o mais forte, se era para ser rápido, eu tinha de ser o mais rápido, assim como meu irmão fez comigo, eu nunca peguei leve com niguém e creio que os que ficaram, entendem o porque de tudo isso.
A responsailidade só mora no silêncio e as respostas são sempre pelas atitudes. No silêncio de quem se cobra, é só assim que nasce, cresce e evolui a consciência de que você mais do que ninguém precisa ser melhor, precisa fazer melhor. E treinar não é isso? Eu penso que é.
De nada adianta ter exemplos se você não seguí-los. No silêncio, da sua responsabilidade.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Seletiva para o Mundial 1997
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
O certo e o certo
Ganhar era bom e continua sendo. Vencer é ter o seu mérito reconhecido, ter todo sacrifício coroado com troféus e medalhas. Porém o que vale mesmo, é o valor que você para os próprios sacrifícios feitos e é somente isso que tem valor numa medalha, você dá o seu valor.
Vencer era bom, mas sempre aprendi que o mérito constrói além de medalhas, o caráter de um homem.
O treino constrói o caráter de um homem. Só existe sinceridade e humildade naqueles que buscam merecer suas medalhas e graduações. O caráter mora no mérito e este sempre depende de trabalho.
Trabalhar em cima dos seus deveres sempre em primeiro lugar, antes de questionar sobre os seus direitos. Um homem que não é direito, não possui direito. Quem deve, nunca merece.
Havia aquela boa sensaçãode ser recompensando, ganhando uma bolsa de estudos, deixando minha família toda orgulhosa, vendo as coisas caminhando bem para o meu irmão e a Shizuoka Goju-Kan. Tudo porque trabalhamos e merecemos. Somente isso nos satisfaz até hoje. Mérito.
Costumamos dizer, o que ouvimos de nossos senseis. Que Karate não possui meio termo, que não existe Karate mais ou menos. Ou é ou não é. Não existe meio Sanchin-dachi ou meio Jodan-zuki. O que existe é o certo e o errado. sendo que se a busca pelo que é correto for o maior objetivo prático e moral do treino, nunca haverá o errado, haverá sim sempre a busca pelo certo. A sinceridade mora nesta busca e a humildade só existe nesta busca.
A Shizuoka Goju-Kan estava começando no Brasil e com elas novas sementes eram plantadas. Hoje, com o passar do tempo temos muito mais do que frutos, temos um ideal sólido que traduz o treinamento do Dojo com três palavras: Sinceridade, humildade e mérito.
Num Dojo, se constrói um ideal, criando coisas boas para o mundo através do caráter. Cria-se para o mundo e quem não pratica tal sinceridade, num local chamado de "local do caminho", não creio que esteja pisando no lugar certo.
O certo e o certo. É só o que existe, para aqueles que criam algo, deixam algo que faça a diferença no mundo.
E lembro então da educação que meu pai e meu irmão me deram: De mais ou menos, o mundo está cheio.





