segunda-feira, 4 de junho de 2012

Oportunidades

Voltamos da Argentina e a sensação de vitória era boa. A sensação também de dever cumprido perante a família e amigos, estávamos iniciando um caminho de vitórias e conquistas da Shizuoka Goju-kan no Brasil.
No ano seguinte (1997) aconteceria o II Campeonato Mundial de Karate-do Goju-kai e o Brasil havia sido escolhido para ser o país sede. Seria uma grande honra fazer parte da Seleção Brasileira, mas primeiro precisava passar pela seletiva e conquistar esta vaga.

A história da Shizuoka Goju-kan no Brasil estava começando a tomar forma e consequentemente a história do Saito Brothers também. Confesso que naquela época nem pensava nisso, o foco era único e exclusivamente treinar e treinar mais. Aprendi no período em que vivi no Japão que não importa o quanto você treina, se quiser melhorar, tem que pensar que existe sempre alguém que está treinando mais. Penso que isto serve não somente para os treinos físicos e técnicos, mas para tudo que fazemos nesta vida. Achar que você é bom ou que sabe tudo sobre algo, é dar o primeiro passo rumo à estagnação. 

O ano de 1996 estava terminando, eu estava de volta ao Brasil, de volta à minha família, iniciando um caminho de vitórias no Brasil e iniciando o caminho da Shizuoka Goju-kan aqui. Estava orgulhoso também com os resultados do Horácio, além do título Sul-Americano recém conquistado, havia conseguido também uma bolsa de estudo em um grande colégio por conta de seu desempenho. 

O ano estava terminando, mas não as oportunidades. O departamento de karate do clube estava crescendo e os alunos estavam aumentando. Meu tio Tadao havia também me indicado para iniciar o Karate como atividade extra curricular em um grande colégio e após tudo acertado, o Karate iniciaria já em fevereiro de 1997.

As oportunidades estavam aparecendo e era preciso acreditar nelas......



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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um talento, um desejo

Nunca fui o melhor dos alunos. Nunca fui o melhor dos atletas e até hoje me vejo desta forma. Muitas vezes penso no que sobra de talento nato em mim, se eu tirar toda quantidade de treino e dedicação exigida até hoje. A resposta que encontro é sempre a mesma: Nenhum.

Vencer naquele dia, foi um passo importante dentro do meu caminho.

Eu nunca fui como o meu irmão. Nunca fui o mais confiante, nem o mais otimista. Mas eu aprendi.

Vencer em um terreno onde as pessoas não te conhecem, é provar a sua capacidade pela capacidade. Não existe "nome", não existe política, não existe nada a não ser a prova do seu merecimento. Então é o que vale.
Merecer é o que conta no travesseiro.

Naquele ginásio velho, a jornada se tornava mais sólida e um desejo era moldado com aquela vitória. À partir daquele dia, eu comecei a acreditar que realmente existia algum talento em mim, ali eu comecei a acreditar de verdade que eu podia fazer coisas que só eu podia. Ver coisas que ninguém vê, fazer coisas que ninguém faz, ser o que ninguém é.

Ser um campeão, que nasce, que se cria muito antes de qualquer título, resultado, medalha, dinheiro ou qualquer outra coisa do tipo. Ninguém nasce com uma coroa no meu modo de ver o mundo, você conquista.

De lá para cá, enfrentei atletas de diversos tipos, tamanhos e nacionalidades. Uns melhores que eu, outros não. Foram muitas derrotas e vitórias até aqui, eu continuo olhando para algo que eu ainda não consegui, para um lugar onde nunca estive, sempre com base naquele mesmo desejo moldado naquele dia.

Perdi a conta de quantas manhãs de inverno acordei às 5h da manhã para correr, de quantos golpes dei treinando sozinho, de quantas repetições eu fiz a mais quando na verdade o que eu queria era vomitar e cair.

Tive lesões que me acordaram no meio da noite e já pensei que não poderia mais fazer o que mais amo no dia seguinte, tenho lesões e não as uso como desculpa para justificar as minhas falhas. Eu treino com dor. Eu ignoro a dor.

Não há desculpas. Só um desejo e esse, talvez seja o meu talento.

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mendoza - Argentina

Lá estávamos nós naquele país, disputando o Sul-Americano representando o Brasil pela primeira vez. Chegamos no Ginásio, nos instalamos e esperamos pelo desfile das delegações. Estar ali é sempre mais do que somente competir, é representar o seu país, seus pais, amigos, seu Mestre e sua escola.
Eu ia disputar a categoria de Kata Adulto Faixa Preta acima de 3º Dan e fui me aquecer.
O fato de não conhecer os meus adversários me dava uma certa tranquilidade e eu queria apenas dar o meu melhor.
Na primeira rodada todos fizeram o kata Seienchin e eu me classifiquei entre os oito com as melhores notas.
Estava agora com a sensação de que poderia vencer e começava a ter que controlar um pouco a ansiedade. Chamaram então meu nome, e com certeza, até aquele momento, ninguém na América do Sul sabia quem eu era. Entrei no koto, fiz o cumprimento e gritei bem alto "Suparinpei". Comecei o kata como que em transe e nem percebi que o tempo passava, pensava apenas no movimento sendo executado, pensando em executá-lo da melhor forma possível, com força, com velocidade, com técnica, mas acima de tudo, com espírito, com significado.
Ao término da categoria, chamaram os nomes e ouvi chamarem o meu como campeão da categoria.

Meu irmão Horácio também competiria na categoria Kata e também no Kumite, só que no juvenil, 15 a 17 anos. O resultado foi: Campeão no Kata e Vice-Campeão no Kumite.
Ali naquele Ginásio, em Mendoza, na Argentina, no ano de 1996, os Saito Brothers começava sua jornada em Sul-Americanos. De lá para cá muita coisa mudou, nós mudamos. O que nunca mudou foi a nossa vontade de aprender, aperfeiçoar e treinar. Assim como algumas pessoas que conhecemos naquela época. Do William do Rio de Janeiro, que foi um dos primeiros amigos que fiz quando cheguei no Campeonato Brasileiro em Serra Negra, assim como o Julio Galdino. Do "Jordan" (Allan) que teve seu tênis roubado no alojamento e teve que voltar de chinelo no avião. São muitas histórias e o que nos deixa feliz é que muitos destes continuam também seus caminhos no karate.

Este ano acontece novamente o Campeonato Sul-Americano em Mendoza e nós iremos lá representar o nosso país com orgulho. Após dezesseis anos, estaremos novamente naquela cidade onde vencemos o Campeonato Sul-Americano pela primeira vez.....

Shizuoka Goju-kan saigo made ni



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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Que comece a viagem

Competir nunca fez de mim um astro de propaganda de marcas de material esportivo, nem muito menos um milionário astro como no basquete americano.

Competir, com excessão de pouquíssimas vezes ou fazes da vidade atleta, sempre me trouxe muito mais prejuízo financeiro do que outra coisa. Mas se por um lado gastei muito dinheiro, se fiz a minha família gastar dinheiro, não posso dizer que eu não tenha aproveitado cada momento de cada viagem.

Para este campeonato na Argentina, acabei recebendo uma pequena ajuda da escola onde estudava naquela época, o que mais tarde acabou me rendendo uma bolsa de estudos integral e aí, pode-se dizer que quitei a dívida(em partes) com o meu pai, pagando assim pelo menos os meus estudos.

Mas isso é uma outra história, porque eu nem se quer tinha ido para a Argentina e as contas se pagaram na escola depois que eu voltei, então voltemos ao assunto da pré viagem.

Tirando a viagem feita para oa Japão, eu nunca tinha visitado outro país. Está certo que par quem viaja para o Japão, qualquer viagem se torna curta e sem muito mistério, mas conhecer outro país era algo que eu ganhava como bônus por competir(assim continua até hoje).

Se não trouxe financeira muito mais do que algumas dívidas adquiridas e pagas ao longo do tempo, culturamente é sempre enriquecedora a experiência de ter contato com outros povos, suas culturas e costumes. E talvez mais importante ainda, é o fato de ter dividido tantas vezes esses momentos fora do país com amigos e parceiros de jornada. Conheci novas culturas, respirei ares diferentes e agradeço ao Karate por ter ganho amigos que podem contar as mesmas histórias que eu conto das minhas jornadas.

Competir é uma viagem, que você tem que curtir. Principalmente sendo atleta de Karate. E eu acredito que ali, naquela terra, naquele ginásio gringo, depois de alguns apuros em terra Argentina,lá estávamos nós, eu e o meu irmão.

Começava então a minha viagem.

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Shizuoka Goju-kan na Argentina

Estávamos a caminho de Mendoza, na Argentina. Confesso que naquela época era difícil imaginar que éramos a Shizuoka Goju-kan, já que éramos apenas eu e meu irmão. Nem pensar sequer nisso eu pensava.
Estávamos lá pela primeira vez defendendo as cores da bandeira do nosso querido Brasil pela primeira vez, já que no mundial de 1993 em Tokyo, estávamos como parte do grupo que representava o Japão, pelo Dojo do nosso Mestre Konomoto Takashi.
Estar ali representava uma grande responsabilidade, a de conquistar espaço em lugar totalmente desconhecido para nós.

Viajamos de avião de Guarulhos até Buenos Aires e de lá para um aeroporto menor de ônibus para poder então embarcar rumo a Mendoza. Fiquei espantado com Buenos Aires à primeira vista, era uma cidade moderna, com seus traços tradicionais e um certo romantismo em sua arquitetura, mas ao mesmo tempo, acompanhando a modernidade de uma grande metrópole. O ônibus atravessou toda a cidade de Buenos Aires por um elevado, sem pegar trânsito nem farol e nessa hora fiquei imaginando a mesma situação no Brasil, descendo em Cumbica-Guarulhos e tendo que se deslocar até Congonhas, iria perder o vôo com certeza. 

Chegando lá, ficamos em um tipo de albergue, junto com outros atletas. Confesso que as condições de hospedagem tanto no Brasil como na Argentina me causavam uma certa estranheza, afinal de contas havia praticamente acabado de voltar do Japão, e lá, sempre que viajei para competir as acomodações eram bem diferentes. Mas somos brasileiros e neste ponto é muito bom, pois nos adaptamos a qualquer circunstância, não é mesmo? Era o suficiente para dormirmos, tomarmos banho e descansarmos, então estava muito bom. 

O que sempre é diferente e no meu caso, gosto bastante, é o fator comida. Gosto de ir a lugares diferentes e experimentar a culinária local e seus pratos típicos. Claro que nem sempre esta é uma situação agradável, mas na maioria das vezes é sempre bom e de valor explorativo, gastronomicamente falando.

Estávamos prestes a competir, mas não me lembro de ter tido ansiedade ou nervosismo, estava tranquilo e o fato de ser tudo novo e diferente de como era no Japão, acho que ajudava a não pensar tanto no campeonato em si.

No dia seguinte iríamos iniciar o caminho da Shizuoka Goju-kan do Brasil em terras internacionais, era o início dos Saito Brohters no Campeonato Sul-Americano.....


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