Estávamos a caminho de Mendoza, na Argentina. Confesso que naquela época era difícil imaginar que éramos a Shizuoka Goju-kan, já que éramos apenas eu e meu irmão. Nem pensar sequer nisso eu pensava.
Estávamos lá pela primeira vez defendendo as cores da bandeira do nosso querido Brasil pela primeira vez, já que no mundial de 1993 em Tokyo, estávamos como parte do grupo que representava o Japão, pelo Dojo do nosso Mestre Konomoto Takashi.
Estar ali representava uma grande responsabilidade, a de conquistar espaço em lugar totalmente desconhecido para nós.
Viajamos de avião de Guarulhos até Buenos Aires e de lá para um aeroporto menor de ônibus para poder então embarcar rumo a Mendoza. Fiquei espantado com Buenos Aires à primeira vista, era uma cidade moderna, com seus traços tradicionais e um certo romantismo em sua arquitetura, mas ao mesmo tempo, acompanhando a modernidade de uma grande metrópole. O ônibus atravessou toda a cidade de Buenos Aires por um elevado, sem pegar trânsito nem farol e nessa hora fiquei imaginando a mesma situação no Brasil, descendo em Cumbica-Guarulhos e tendo que se deslocar até Congonhas, iria perder o vôo com certeza.
Chegando lá, ficamos em um tipo de albergue, junto com outros atletas. Confesso que as condições de hospedagem tanto no Brasil como na Argentina me causavam uma certa estranheza, afinal de contas havia praticamente acabado de voltar do Japão, e lá, sempre que viajei para competir as acomodações eram bem diferentes. Mas somos brasileiros e neste ponto é muito bom, pois nos adaptamos a qualquer circunstância, não é mesmo? Era o suficiente para dormirmos, tomarmos banho e descansarmos, então estava muito bom.
O que sempre é diferente e no meu caso, gosto bastante, é o fator comida. Gosto de ir a lugares diferentes e experimentar a culinária local e seus pratos típicos. Claro que nem sempre esta é uma situação agradável, mas na maioria das vezes é sempre bom e de valor explorativo, gastronomicamente falando.
Estávamos prestes a competir, mas não me lembro de ter tido ansiedade ou nervosismo, estava tranquilo e o fato de ser tudo novo e diferente de como era no Japão, acho que ajudava a não pensar tanto no campeonato em si.
No dia seguinte iríamos iniciar o caminho da Shizuoka Goju-kan do Brasil em terras internacionais, era o início dos Saito Brohters no Campeonato Sul-Americano.....





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