Mais do que medalhas e fotografias, fica o aprendizado.
Aquela era a nossa primeira competição internacional de Bunkai. A primeira competição fora de casa, como Saito Brothers.
Mais do que os títulos como o daquele dia, ficam para sempre os laços que se fortalecem a cada disputa, cada vitória ou derrota. Toda vitória, toda historia é construída com a vivência intensa destes momentos. Tudo tem de valer à pena. Da dor à alegria, tudo tem de servir como alicerce de uma grande fortaleza. Esse é o caminho e é o nosso caminho.
Com o tempo, há de se aprender que quem não coloca tudo em jogo, não serve para o jogo. Porque ali só vence quem é sincero. Não existe sinceridade com o pé atrás. Só conta se for 100%. A sinceridade nunca perde, sempre vence, embora algumas vitórias só o tempo revele.
Com o tempo, há de se aprender também, que aquele que quer honrar a confiança das pessoas, sempre luta com 100% do que tem e além disso, leva todas estas pessoas à serem honradas nos ombros, nas costas, na mente, no pensamento. Quem luta por muitos, tem a força de muitos.
O juvenil, aprende a lutar por si. O homem luta por si e pelos outros. Seja pela memória destes, pela gratidão ou pelo apoio recebido. Os homens honram o(s) nome(s) que carregam.
Naquele dia, aprendi a carregar as coisas nas costas. Para honrar o nome de quem um dia fez o mesmo caminho. Tinha dezesseis anos, muita coisa pela frente, mas sabia que estava no lugar certo.
Estava no caminho.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Só honra quem carrega
segunda-feira, 30 de julho de 2012
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Pelo nome e não com o nome
Um dia todos vamos embora. Não existe maior certeza do que a morte. O que acontece, é que nos maravilhamos com a vida e passamos os dias sem se quer pensar(corretamente até) nesta única certeza. Um dia, todos vamos morrer.
Nós nunca imaginamos a vida sem aquelas pessoas que fazem dela um lugar seguro. Ninguém nunca pensa em perder um pai, uma mãe, por mais que essa seja a ordem natural das coisas.
Com os mestres acontece a mesma coisa. Eles são pais de muitos. São as figuras centrais de contos, histórias e até lendas dentro de suas artes. Representam sempre em carne e osso, as lições de um caminho que abriga muitos peregrinos. Eles são o caminho.
A perda do mestre Ryuzo Watanabe, significava para nós da Goju-Kai, perder o caminho. Pois assim como outros grandes mestres, ele era o desde o ar que respirava, até o último batimento do seu coração, puro Karate-Do.
Foi um momento de muita tristeza. Lembro-me do dia do enterro do sensei até hoje com muita clareza. Se lembrar demais, talvez comece a sentir que é muito mais triste do que já é, porque sei, que ele faz muita falta neste mundo. Porém creio que pensar nisso seria de certo modo egoísmo meu, já que certamente hoje em dia ele deve estar muito mais feliz no lugar em que se encontra (provavelmente com outros grandes mestres).
Muitos se perderam depois daquele dia, muitos, decidiram levar o caminho adiante honrando a memória de alguém que viveu pelo caminho do Karate.
Todos temos a opção de escolher o que fazer com a memória das pessoas que se foram, o que fazer com os bons dias vividos ao lado de quem se foi, o que fazer com os ensinamentos, as lições de quem viveu para passar um ideal adiante e liderar um grupo, uma família.
Tenho orgulho e gratidão pelos senseis que tive, tenho orgulho de ser irmão de um grande Budoka que sempre optou por seguir os exemplos, fazendo como eles, liderando, desbravando rumo àquilo que é certo.
Depois de tantos anos, eu olho para todos estes dias que ficaram para trás desde o falecimento do sensei Watanabe e vejo que o meu irmão me(nos) guiou para o caminho certo.
Por onde se honra a memória das pessoas com a nossa própria maneira de viver. Não nos agarramos, nos escoramos no nome de ninguém, não usamos a imagem de ninguém. Nós somos aquilo que aprendemos, somos o que passamos adiante. É assim que um legado, uma memória se matém viva. Os mestres vivem no caminho e na transmissão dos ensinamentos deste. De nada adianta ficar citando nomes se as atitudes não falarem por estes nomes citados.
Temos MUITO ORGULHO das nossas raízes, de ter aprendido com quem aprendemos e é exatamente por isso que damos o nosso melhor todos os dias. Para honrar o nome das pessoas com atitudes, porque Karate-Do é feito muito mais de luta, do que nomes à serem citados na primeira oportunidade.
Tínhamos um campeonao para vencer, por nós, pela memória do sensei e acima de tudo... Por honra e gratidão.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Próximo de um final
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
Pescando na chuva
Meu irmão sempre gostou de pescar.
Todas às segundas, meu irmão pegava na escola depois da aula, eu trocava de roupa no caminho, dentro do carro e íamos pescar. Essa era mais uma das "nossas coisas", momentos, como aqueles vividos no Japão, nas viagens de trem, quando passávamos na livraria, líamos o que queríamos, meu irmão pegava uma revista de Karate, eu pegava a nova edição do mangá preferido e pegávamos um taxi para casa.
Entre essas coisas que fazíamos juntos, lembro também das manhãs já aqui no Brasil, quando acordava cedo e íamos correr no parque antes da escola. Voltava para casa, tomava um banho, vestia o uniforme e ia estudar.
Pescar, naquela época era a "nossa coisa"do momento. Apesar de eu ir muito mais pela diversão de fisgar o peixe e por acompanhar sempre o meu irmão em todos os lugares, gostava muito desta época. Mas nunca fui um pescador como o meu irmão.
Meu irmão se divertia pescando, mas também se divertia com as minhas trapalhadas com a "tralha" de pesca, quando eu gastava mais tempo desembaraçando a linha do que pescando em si. Eu ficava bravo e ele ria e quando os nós eram cegos demais, ele montava outra vara para mim.
A maioria das pessoas gosta de fisgar o peixe. E acho que isso se encaixa muito bem no que é a vida. As pessoas sempre querer ter algo, ter o prazer de ter algo, mas quem aqui gosta de pescar na chuva sem pegar nada?
Bom, o meu irmão gosta.
Lembro-me de um dia, que estava frio e chovia muito. Fomos pescar, porque o meu irmão sempre seguia em frentre com os seus planos, fosse com sol, fosse com chuva. Chovia tanto naquele dia, que eu mal podia ver o que se passava lá na ponta da linha lançada no lago, quase não via a bóia. Não dava para diferenciar o que era a chuva balançando a água e o que era o peixe tentando morder a isca. Tudo que eu via, era o meu irmão. Parado, quieto, atento, coberto com uma capa de chuva, olhando para a água.
Nesse dia, do quiosque, observando o meu irmão pescando na chuva eu entendi muita coisa sobre pescar, aprendi o que é gostar de pescar. E quem sabe até, tenha aprendido muita coisa sobre a própria vida. A verdadeira pescaria, mora em quem gosta de pescar independente de tudo.
É preciso estar lá. Com sol ou com chuva. Enxergando o que há adiante ou não, é preciso estar lá.
O que essas lembranças tem a ver com o nosso Karate? Bom, só entende, quem está na chuva. Para se molhar? Sim. Mas mais do que isso, para pescar.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Um ideal
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
O que você não imagina e o que você imagina
Nunca esperei receber aquela graduação, mas honrei-a até o seu último dia.
Naquela época, mal passava pela minha cabeça ser algo além de Shodan. Me focava apenas em treinar, ser melhor e a busca era apenas isso, por melhora. Graduações vem com o tempo, desde que o foco do presente seja melhorar sempre, hoje mais do que ontem, amanhã mais do que hoje...
Porém, uma vez que possuir a graduação, é necessário mais do que nunca ser a graduação e justificar o pedaço de papel, principalmente a assinatura e a confiança de quem assinou aquele certificado.
Tem de ser a graduação todos os dias. Sem desculpas, sem justificativas, porque só assim a graduação vale alguma coisa.
Muitas vezes lhe é dado algo que você nem imaginava poder ter. Eu acredito que quando isso acontece, pessoas boas farão o bem com isso, pessoas más fão o mal com isso e pessoas sem caráter vão transitar entre o bem e o mal, sempre de acordo com o que for mais vantajoso para o próprio ego. Ter é importante, ser também é, mas no final das contas, o que faz realmente a diferença, é o que você faz com o que você tem, com o que você é.
Não me imaginava Nidan, da mesma forma que eu sei que o meu irmão não se imaginava Yondan. Não porque ele escreveu esta semana, nem porque ele me disse algum dia, porque não disse. Mas porque viemos do mesmo lugar e eu sei que ele não se imaginava.
Quem você é hoje e quem você quer ser amanhã sempre vai depender diretamente das coisas que você recebe da vida sem nem imaginar. Logo adiante, vai depender do que você imagina e da sua capacidade de ser fiel aos princípios e caminhos que te levam a esta imaginação.
Não existe enganação com esta imaginação, porque ela é sua. Não existem atalhos, nem "cheat codes", só existe o seu caráter dizendo verdades para si mesmo.
Treinar mais, para honrar as coisas que você mal podia imaginar. Ser melhor, para ter o que imaginar.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Jokyo - Yon Dan
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quinta-feira, 5 de julho de 2012
Mais "Sen"
Para a Shizuoka Goju-Kan do Brasil, ter mais alunos significava um certo sucesso na empreitada. Para o meu irmão, significava mais trabalho. E para mim, significava mais olhos me observando. Era preciso ser o exemplo.
Talvez tenha sido a época de mais cobrança na minha vida. Meu irmão não me cobrava abertamente, mas com os seus olhares de reprovação em cada falha ou com os socos e chutes que vinham quando lutávamos nos treinos de portas fechadas, não era necessário dizer muita coisa. A mensagem sempre vinha e eu absorvia como dava, bem ou mal.
Essa época de acúmulo de responsabilidades, veio justamente na minha adolescência e certamente influenciou muito na minha formação não só como atleta, praticante ou sensei de Karate-Do, mas também como adulto.
Era a questão de chegar mais cedo, de sair mais tarde, de fazer dez a mais que os outros, de parar depois que os outros e sempre justificar a minha posição ali dentro. Todos mereciam uma vírgula, um porém, eu não. Pelo menos para mim, era isso. Ser o exemplo.
Falhei muitas vezes, vi algumas vezes resultados escaparem em campeonatos enquanto outros alunos mais novos se destacavam. Mas sempre voltei calado de cada uma dessas derrotas. Devia para mim mesmo.
Eu acreditava que um bom senpai, se fazia só com números e a cada derrota, me frustrava por não corresponder com as minhas obrigações perante os mais novos e o meu irmão.
Hoje, não tenho apenas a condição de senpai, mas também de sensei. Os anos se passam e entendo que ser um bom exemplo, se trata muito mais de quantos anos você passa querendo mais, fazendo mais, mas principalmente os anos que você acumula caindo e levantando logo em seguida, não importando a altura da queda. é preciso muito mais do que vitórias para continuar no mesmo caminho.
Ser exemplo, nada tem a ver com nunca cair ou ser invencível. Tem a ver com ser mais forte dia após dia, seja com vitórias ou derrotas. Tudo tem que te fazer melhor amanhã. Muitos, ficam pelo caminho.
A margem de erro diminui com o tempo, mas ainda sim é uma luta por vez. Continuo lutando para ser um exemplo. E é assim tem de ser. "Sen", vai adiante, toma a dianteira e segue o caminho.
Luatava então, para ser um bom exemplo.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Aprender e Ensinar
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Tudo no seu devido lugar
O Destino se constrói. Não, não é uma forma cética de ver a vida. Na verdade, é ter mais fé do que se possa imaginar. Não existe Destino sem trabalho.
Todas as coisas boas e ruins estão sempre no lugar certo e na hora certa, mas somente onde há alguém que trabalha duro todos os dias para construir a própria história. Nada cai do céu, Destino não é isso.
Ninguém entra numa competição de nível internacional(ou em qualquer outra que seja) para dizer "o importante é competir". Se existe alguém que entra com esta mentalidade, me desculpe mas esse alguém deveria ficar em casa vendo TV. A esta altura do campeonato, se você não entender que "o importante é competir" é só o que você ensina para criancinhas quando elas estão iniciando no esporte, meu amigo, tenho que dizer que você não serve para a coisa.
Existem resultados que acontecem por acaso, sim, de certa forma existem. Já vi gente que trabalha muito não vencer no dia do campeonato e gente que passa a vida tomando suco vencer. Essas vitórias do acaso não se repetem e os frutos(se é que dá para chamar assim, porque só há fruto onde há algo plantado e cultivado) não duram por muito tempo. E aí se explica o "de certa forma", pois pela minha maneira de ver as coisas, a vitória por acaso de um é irrelevante, porque o que conta para o Destino é derrota na hora e no lugar certo, daquele precisa aprender algo ali, para ser um verdadeiro campeão, com raízes, tronco e frutos para a vida toda.
Quem sabe o meu irmão tivesse que aprender alguma coisa ali, assim como um dia eu mesmo teria que aprender outras coisas experimentando sensações ruins. Ver um ídolo, um líder perder nunca é bom, mas é isso que na minha opinião é a verdadeira admiração. Carne, osso e trajetória de grandeza.
Costumo dizer que ninguém sabe o que vai acontecer daqui a cinco anos. Há sempre uma meta, uma expectativa, mas fato é que ninguém sabe, nem daqui cinco, muito menos dez. Em dias normais, ninguém sabe dizer, num dia onde o sabor da derrota é o que há então...
Então volto para o Destino. Tudo certo, no seu devido lugar. Existe hora para tudo, tempo para tudo para aqueles que carregam o próprio mundo nas costas todos os dias. Conheci gente, que há dez anos atrás vencia algum campeonato por acaso. Mas onde estão essas pessoas hoje? Não faço a mínima idéia... Talvez em outro lugar, fazendo outra coisa que realmente seja o "Destino" delas. Mas aqui? Aqui não.
Não é entender as derrotas de bate pronto, não é esperar que elas aconteçam, muito menos esperar que elas não aconteçam. Mas sim viver tudo que for necessário, para ser um campeão, de raíz, tronco e frutos.
Meu irmão viveu aquela frustração, mas a vida, o Destino e ele mesmo(batalhando todos os dias), reservaram algo especial para o futuro.
Sempre fui o braço direito do meu irmão e naquele dia, eu perdi junto também...
Porém tudo estava no seu devido lugar. Tudo está no seu devido lugar.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Aprendendo com as derrotas
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
A óbvia evolução de 1997
Sempre que contei algo por aqui, deixei bem claro que nada veio de graça. Sempre frisei bem que tudo se tratou de passar por maus bocados na verdade, superar as deficiências e dificuldades à curto, médio e longo prazo.
1997 foi não apenas mais um desses anos, mas sim, um ano especial, onde pude aprender muito sobre o que é trabalhar duro pelas coisas e acima de tudo, fechar a boca, engolir as eventuais derrotas e seguir trabalhando mais.
A grandeza mora nos grandes. Parece óbvio não? Conversando num boteco na esquina, numa roda de amigos, sim, é óbvio, como meu irmão sempre diz "falar de Budo é muito fácil numa rodinha de amigos, fazer Budo é outra história". Não é óbvio, pelo menos para os fracos.
A grandeza está no que há de grande, coisas como a glória, a honra e o orgulho, que só os grandes possuem, porque trata-se basicamente de experiências acumuladas, de histórias sobre alegria, realização, mas acima de tudo, cicatrizes de uma trajetória de superação, "sem" dor, sem "última vez", sem nunca desistir daquilo que você acredita.
A grandeza mora nas tradições. Não é costume em tempos modernos as próximas gerações cantarem antes de uma Guerra, canções sobre as vitórias dos guerreiros do passado. Não é costume lutar e sonhar com um futuro, onde outros guerreiros cantem sobre a sua batalha. Não faz parte do nosso tempo.
Porém, grande é aquele quer quer o que ninguém tem, que sonha com o que ninguém sonha e nós vivemos lutando, sonhando com essas canções que nunca serão cantadas.
A grandeza mora nos grandes e não é óbvio nos dias de hoje. Engolir a sensação amarga faz parte do processo de evolução de quem entende e aprende o que é ser grande, olhando para quem é grande.
Olhava para o meu irmão e às vezes sentia raiva por não corresponder à altura. Os grandes vivem de honra, mas pagam suas contas com luta e sacrifício. 1997 era o ano de falar menos, contestar mais(a si) e treinar com tudo que eu tinha.
Os fracos não evoluem, só sofrem as cações do tempo. Os grandes fazem do tempo o que bem entendem. Para os grandes sempre se trata de levantar todos os dias dizendo a mesma coisa.
Eu quero, eu preciso.
Então, a evolução é só uma consequêcia.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Pronto para as Seletivas
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
Crescendo no silêncio
Naquele ano do mundial da IKGA, lembro de ter visto meu irmão suar como nunca. Era um ano intenso, o Campeonato Mundial por si só, já era algo que requeria muita dedicação, responsabilidade, além disso, ainda existia o desafio de fazer a Shizuoka Goju-Kan crescer e plantar novas sementes com novas turmas, novos alunos, novas pessoas interessadas no caminho do Karate-Do.
Dos faixas pretas que atualmente continuam firmes e fortes com o Karate-Do e a Shizuoka Goju-Kan nos dias de hoje, a maioria deu seus primeiros passos, socos e chutes exatamente nesta época.
A época era dura, o terreno talvez aparentasse incerto na época, mas julgando pelo que se vê hoje, tudo indica que era sim um terreno fértil.
Não foi uma vez, nem duas vezes que vi dentro de casa o meu irmão sobrecarregado de coisas naquele ano. Acredito que esta imagem que sempre tive, dos "bastidores" faz muita diferenteça sobre a imagem que eu tenho do meu irmão como Sensei e exemplo à ser seguido. É fácil ver só o que você quer ver, o difícil é ver e conhcer o que se vê.
Nunca fui muito de falar nos treinos. Nunca fui muito de falar e comentar sobre os treinos em casa, nem mesmo com o meu irmão. Sempre aprendi mais observando os exemplos e fazendo perguntas para mim mesmo, sobre o que estava fazendo para ser grande, spbre o que eu estava fazendo para ser um exemplo. Ver os "bastidores", me fez entender muito e até hoje às vezes me pego lembrando das cenas daqiela época e penso comigo mesmo, que exatamente tudo que o meu irmão conseguiu até hoje, foi fruto de muito suor e trabalho. Não devia ser nada fácil e hoje, muitas vezes passando por situações parecidas, dou uma risada por entender situações de anos atrás.
A questão é que tudo na vida realmente tem um preço. Entretanto o que as pessoas esquecem, é que geralmente é necessário pagar antes de ter as coisas. Isso é como assinar um contrato sem ler e depois reclamar.
Com o volume de responsabilidades, número de aulas e treinamentos do meu irmão para o Mundial daquele ano, aumentaram por tabela, as minhas responsabilidades e treinamentos, mais bagagem para carregar nas costas, mais pedras no sapato e muitos kimonos para a minha querida mãe lavar.
Mais do que nunca, agora eu era "o irmão", mas tinha plena consciência de que tinha de ser "O" irmão. Com novos alunos entrando, eu tinha de me tornar um exemplo. Não tinha direito de falhar, não tinha direito de fracassar e não tinha direito de desapontar o meu irmão. Ter o direito, significava desapontar a si mesmo, esse era o ponto de vista que fazia com que eu me cobrasse em silêncio em cada treino. Se era para ser forte, eu tinha de ser o mais forte, se era para ser rápido, eu tinha de ser o mais rápido, assim como meu irmão fez comigo, eu nunca peguei leve com niguém e creio que os que ficaram, entendem o porque de tudo isso.
A responsailidade só mora no silêncio e as respostas são sempre pelas atitudes. No silêncio de quem se cobra, é só assim que nasce, cresce e evolui a consciência de que você mais do que ninguém precisa ser melhor, precisa fazer melhor. E treinar não é isso? Eu penso que é.
De nada adianta ter exemplos se você não seguí-los. No silêncio, da sua responsabilidade.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Seletiva para o Mundial 1997
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
O certo e o certo
Ganhar era bom e continua sendo. Vencer é ter o seu mérito reconhecido, ter todo sacrifício coroado com troféus e medalhas. Porém o que vale mesmo, é o valor que você para os próprios sacrifícios feitos e é somente isso que tem valor numa medalha, você dá o seu valor.
Vencer era bom, mas sempre aprendi que o mérito constrói além de medalhas, o caráter de um homem.
O treino constrói o caráter de um homem. Só existe sinceridade e humildade naqueles que buscam merecer suas medalhas e graduações. O caráter mora no mérito e este sempre depende de trabalho.
Trabalhar em cima dos seus deveres sempre em primeiro lugar, antes de questionar sobre os seus direitos. Um homem que não é direito, não possui direito. Quem deve, nunca merece.
Havia aquela boa sensaçãode ser recompensando, ganhando uma bolsa de estudos, deixando minha família toda orgulhosa, vendo as coisas caminhando bem para o meu irmão e a Shizuoka Goju-Kan. Tudo porque trabalhamos e merecemos. Somente isso nos satisfaz até hoje. Mérito.
Costumamos dizer, o que ouvimos de nossos senseis. Que Karate não possui meio termo, que não existe Karate mais ou menos. Ou é ou não é. Não existe meio Sanchin-dachi ou meio Jodan-zuki. O que existe é o certo e o errado. sendo que se a busca pelo que é correto for o maior objetivo prático e moral do treino, nunca haverá o errado, haverá sim sempre a busca pelo certo. A sinceridade mora nesta busca e a humildade só existe nesta busca.
A Shizuoka Goju-Kan estava começando no Brasil e com elas novas sementes eram plantadas. Hoje, com o passar do tempo temos muito mais do que frutos, temos um ideal sólido que traduz o treinamento do Dojo com três palavras: Sinceridade, humildade e mérito.
Num Dojo, se constrói um ideal, criando coisas boas para o mundo através do caráter. Cria-se para o mundo e quem não pratica tal sinceridade, num local chamado de "local do caminho", não creio que esteja pisando no lugar certo.
O certo e o certo. É só o que existe, para aqueles que criam algo, deixam algo que faça a diferença no mundo.
E lembro então da educação que meu pai e meu irmão me deram: De mais ou menos, o mundo está cheio.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Oportunidades
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
Um talento, um desejo
Nunca fui o melhor dos alunos. Nunca fui o melhor dos atletas e até hoje me vejo desta forma. Muitas vezes penso no que sobra de talento nato em mim, se eu tirar toda quantidade de treino e dedicação exigida até hoje. A resposta que encontro é sempre a mesma: Nenhum.
Vencer naquele dia, foi um passo importante dentro do meu caminho.
Eu nunca fui como o meu irmão. Nunca fui o mais confiante, nem o mais otimista. Mas eu aprendi.
Vencer em um terreno onde as pessoas não te conhecem, é provar a sua capacidade pela capacidade. Não existe "nome", não existe política, não existe nada a não ser a prova do seu merecimento. Então é o que vale.
Merecer é o que conta no travesseiro.
Naquele ginásio velho, a jornada se tornava mais sólida e um desejo era moldado com aquela vitória. À partir daquele dia, eu comecei a acreditar que realmente existia algum talento em mim, ali eu comecei a acreditar de verdade que eu podia fazer coisas que só eu podia. Ver coisas que ninguém vê, fazer coisas que ninguém faz, ser o que ninguém é.
Ser um campeão, que nasce, que se cria muito antes de qualquer título, resultado, medalha, dinheiro ou qualquer outra coisa do tipo. Ninguém nasce com uma coroa no meu modo de ver o mundo, você conquista.
De lá para cá, enfrentei atletas de diversos tipos, tamanhos e nacionalidades. Uns melhores que eu, outros não. Foram muitas derrotas e vitórias até aqui, eu continuo olhando para algo que eu ainda não consegui, para um lugar onde nunca estive, sempre com base naquele mesmo desejo moldado naquele dia.
Perdi a conta de quantas manhãs de inverno acordei às 5h da manhã para correr, de quantos golpes dei treinando sozinho, de quantas repetições eu fiz a mais quando na verdade o que eu queria era vomitar e cair.
Tive lesões que me acordaram no meio da noite e já pensei que não poderia mais fazer o que mais amo no dia seguinte, tenho lesões e não as uso como desculpa para justificar as minhas falhas. Eu treino com dor. Eu ignoro a dor.
Não há desculpas. Só um desejo e esse, talvez seja o meu talento.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Mendoza - Argentina
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