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segunda-feira, 30 de julho de 2012

O ÚLTIMO POST

Hoje é o último post desta temporada. Em breve estaremos de volta com novidades, algumas bem legais mas que não podemos contar por enquanto..... e claro, com novas histórias do SAITO BROTHERS.

Tínhamos tomado a decisão de viajar a Santiago para representar o nosso País, mas principalmente para representarmos o Mestre Ryuzo Watanabe. Fora uma perda imensurável, mas queríamos lembrar sempre do Mestre Watanabe com alegria e da forma que ele sempre nos ensinou, de karate-gi.
Neste Sul-Americano, eu e o brother Horácio não estávamos mais sozinhos, alguns dos nossos alunos também estavam ali defendendo as cores do nosso país, o que me deixava bastante orgulhoso. 


Iria competir no Kata adulto acima de Sandan, no Kumite Individual até 65 kg, no Kata Equipe, no Kumite Equipe e no Bunkai-Kumite-Kata. Era uma grande responsabilidade, mas o clima era de alegria. Os alunos, viajando pela primeira vez para fora do País, faziam uma grande festa. Apesar de alguns sustos que os alunos me deram (um deles é ao chegarmos em Santiago e ao descer do avião, um dos alunos me diz que perdeu seu passaporte, só depois de muito procurar no aeroporto e quase buscar ajuda ao consulado, ele percebe que o que ele perdeu não era o passaporte, pois ele nem tinha, o que perdera era o ticket de embarque), a viagem foi tranquila e fomos enfim para o hotel. 

Já no Ginásio para a competição, tivemos uma grande homenagem ao Mestre Watanabe e que emocionou a todos os presentes. Um Grande Mestre e todos sem exceção sentiram sua partida.
Mas o clima logo saiu da tristeza para o de competição, começaram pelas crianças e os nosso alunos já começaram também a se destacar.

Competi no kata individual acima de San Dan e consegui me consagrar Vice-Campeão, logo depois fomos competir o Kata Equipe (eu, o brother Horácio e nosso primo Felipe) e ficamos também com a segunda colocação. Eu e o brother Horácio fomos então competir o Bunkai-Kumite-Kata e conseguimos nos consagrar Campeões da categoria, para a nossa alegria. Competi ainda no kumite até 65 kg e no kumite equipe e consegui em ambas a medalha de bronze.

Mais do que as minhas conquistas em si, era muito gratificante ver o resultado também do meu brother Horácio e de todos os nossos alunos, não pelas medalhas apenas, mas por tudo que havia acontecido e pela postura que todos da Associação Shizuoka Goju-kan tinham tomado.

A de honrar o Mestre Watanabe, 

Sentia a sensação de que tínhamos cumprido o nosso dever.....



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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Próximo de um final

Na próxima semana postaremos a última história desta etapa do Saito Brothers, que retornará com novo visual, novidades e novas histórias, claro. Aguardem!!!!!

O ano de 1998 estava começando a dar seus frutos. Nossos alunos disputaram o Campeonato Paulista e se classificaram para o Campeonato Brasileiro. No Brasileiro, conseguiram resultados além do esperado e conquistaram a vaga para a Seleção Brasileira para disputarmos o Campeonato Sul-Americano que seria disputado em Santiago, no Chile, no mês de dezembro.

Em apenas dois anos de trabalho com aqueles garotos e garotas já tínhamos conseguido classificar, além de mim e o brother Horácio, mais cinco alunos. Isto era muito gratificante, pois ali estavam os frutos de muita confiança depositada no meu trabalho, pelo meu Mestre no Japão e pelo Mestre Watanabe aqui no Brasil. 

Infelizmente acontecem coisas em nossas vidas que não temos controle e que imaginamos intimamente não acontecer. 
Após o Mestre Watanabe retornar do Chile, viagem que fez para visitar e acompanhar a organização do Campeonato Sul-Americano, é internado às pressas com uma suspeita de infecção intestinal. Mas, após diversos exames foi constatado que era um câncer de estômago que derrubara o nosso grande guerreiro, líder e exemplo de milhares de pessoas que o acompanhavam em sua jornada de vida, que era o Karate. 
Não deu tempo de assimilarmos a situação e quão grave era, e o Grande Mestre Ryuzo Watanabe veio a falecer no dia 05 de Dezembro de 1998. Uma grande tristeza assolou a todos, lágrimas não eram suficientes para expressar a dor que estávamos sentido. Um líder, um Mestre, um pai para muitos. Ninguém queria acreditar e era difícil conter os sentimentos de uma perda como esta. 
Em seu velório, pessoas de todos os lugares vinham prestar suas homenagens. Não apenas pessoas ligadas ao Karate, mas também da colônia japonesa e de diversos amigos que o Mestre galgara também como pessoa pública. 

O Mestre Ryuzo Watanabe foi enterrado no Cemitério da cidade de Suzano e a nós restou a dúvida agora a respeito do Campeonato Sul-Americano que aconteceria na semana seguinte.
Nos reunimos e decidimos que a melhor forma de honrar o nome do nosso querido Mestre e que amava tanto o Karate-do Goju-ryu, era vestindo o Karate-gi e lutando. Iríamos sim ao Chile e lá prestaríamos nossas homenagens, da forma que o Mestre Watanabe sempre nos ensinou,

Com honra!!!!!


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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Um ideal

Iniciávamos o ano de 1998 e agora o pensamento era Campeonato Paulista, se classificar para o Campeonato Brasileiro e depois se classificar para o Campeonato Sul-Americano de Karate-do Goju-ryu IKGA. Os treinamentos continuavam intensos e cada vez mais nossos ideais, meu e do meu brother Horácio pareciam estar se unificando. Isso me deixava bastante orgulhoso, pois apesar dele ser o irmão mais novo e ter que arcar com a exigência de ser um Saito, sua responsabilidade crescia juntamente com sua experiência. 

Apesar de nossa diferença de idade (11 anos) sempre estávamos juntos. Seja em treinamento, competição ou mesmo em lazer, ele sempre foi uma grande companhia para mim. Gosto muito de pescar e naquela época, íamos todas as segundas-feiras, que era o meu dia de folga. Eu o pegava na saída do colégio na hora do almoço e íamos pescar, voltando só tarde da noite. Sempre gostei muito de carros também, desde muito jovem e nessa época os carros turbo eram a minha outra paixão, depois do karate. Partíamos então no meu carro turbo para a pescaria e fazia parte da diversão também o trajeto de 100 km até o pesqueiro.

Trilhava o caminho do Karate-do Goju-ryu e tinha a responsabilidade de no Brasil, honrar o que me tinha sido ensinado no Japão, fazendo o nome da Associação Shizuoka Goju-kan crescer e prosperar aqui. Não tinha muita ideia de quão grande isso poderia se tornar, pensava mesmo em um dia de cada vez. 
Começamos a treinar o Bunkai-kumite-kata para competir e para quem sabe um dia, podermos representar o Brasil em uma competição internacional. Precisávamos passar pelo Campeonato Paulista e Brasileiro para assim podermos ir ao Chile com a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano, isto exigia um grande trabalho pela frente.

Um Sobrenome, Um Mestre, Um Ideal......



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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Jokyo - Yon Dan

Quando retornei do Japão, sabia que tinha muito trabalho a ser feito aqui para conquistar o meu espaço. E o ano de 1997 foi uma grande prova. Novos alunos, novos locais de aula, Mundial, era tudo muito fascinante e assustador ao mesmo tempo. Sempre aprendi que a coragem nunca tinha nada a ver com a ausência do medo, muito pelo contrário, era nas horas de real sentimento de medo que precisávamos demonstrar muita coragem para conseguir seguir em frente. E assim foi, sempre acreditei que me sairia bem em situações de pressão e onde todos desistiriam, eu deveria progredir. Naquele ano o Mestre Ryuzo Watanabe, que já se tornara também um grande mentor (afinal de contas o Mestre Watanabe era amigo pessoal do meu avô e pertencíamos à mesma Associação Fukushima Kenjinkai) me disse que gostaria que eu fosse promovido para Yon Dan. Na minha concepção, um Yon Dan era algo ainda distante. Me lembrava do Shihan-Dai da matriz da Shizuoka Goju-kan, Nagatani Sensei e das inúmeras surras que eu levava dele quando treinávamos Jyu-Kumite e me perguntava se eu estaria pronto para ocupar tal graduação. 

Mestre Watanabe sempre era muito prestativo nos treinamentos que fazíamos todos os últimos domingos do mês em seu Dojo na Móoca, onde se reuniam vários faixas pretas vindos de diversos lugares, inclusive de outros estados e algumas vezes de outros países. Eram nestes treinamentos que podíamos observar as técnicas do Karate-do Goju-ryu sendo aplicadas pelo Mestre Watanabe. Sempre estávamos presentes, eu e o Horácio, que na época era Shodan e que também ouviu do Mestre Watanabe que gostaria de vê-lo como Ni Dan. Não almejávamos tal promoção, já que havíamos aprendido com nosso Mestre que o reconhecimento sempre vem, não é necessário que se peça, o Mestre lhe dirá quando estiver pronto. 

Em um destes treinamentos, Mestre Watanabe disse que gostaria de marcar nosso exame, e eu prontamente lhe respondi que ainda não me sentia pronto para ser um Yon Dan, achava que ainda me faltava muita experiência. Ele riu e disse que conversaríamos depois para marcar. Alguns meses depois, no final de um destes treinamentos de domingo, o Mestre Watanabe me chama para conversar e diz que eu havia passado no exame. Eu, meio sem reação, lhe pergunto: "Mas Sensei, eu não fiz nenhum exame". - E ele me responde: "Você e o Horácio estavam sendo examinados por mim a algum tempo e dentro do que vocês demonstram pelo karate, tanto em treinamento quanto fora dele, eu graduo o Horácio para Ni Dan e você para Yon Dan Jokyo." - me entregando um envelope grande com os certificados dentro, com um grande sorriso.

Fiquei nesta graduação por onze anos, sempre pensando em evoluir tecnicamente e também adquirir maturidade, para crescer como ser humano. Pois para passar para a próxima graduação eu precisaria ser o melhor Yon Dan que podia ser e com o título de Jokyo, era preciso trabalhar muito pela arte em si. Tinha muito trabalho pela frente......


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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Aprender e Ensinar

Passado o mundial, os treinos voltaram ao normal e as aulas também. Um fato que sempre percebi é que nem sempre quem tem o conhecimento está apto a ensinar. Óbvio que aquele que não detém tal conhecimento não deve nem cogitar o fato de ensinar, mas muitas pessoas tem o conhecimento para si, mas não conseguem expandir de forma didática seus ensinamentos. No tempo em que fiquei no Japão, aprendi além das técnicas, também os fatores didáticos para se ensinar, tanto adultos e também as crianças, o que realmente foi de grande valia no meu aprendizado. 

Alguns alunos já estavam treinando a mais de um ano e com isso os campeonatos tinham um outro significado para mim, o de ensinar àqueles meninos o valor da conquista, o valor de vencer. Claro que do ponto de vista teórico, tudo é lindo e maravilhoso. Mas na prática é muito mais complicado. Ensiná-los a serem pessoas do bem, com caráter, honrados, humildes e vencedores, de modo exemplar, era o que valia verdadeiramente a pena.

Dos alunos de hoje que se tornaram adultos e vencedores, naquela época eram crianças bem novas. Penso naquela época com bastante carinho. Alunos realmente especiais fizeram parte da minha vida. Além do meu braço direito de sempre que é o meu brother Horácio, nosso primeiro aluno foi o Felipe, nosso primo e o segundo foi o Eric, que sempre foi o nosso mascotinho, o aluno querido de todos. Bruno, Jean e Cláudia vieram do Colégio JM e o Philipe, Vinicius, Jacqueline e Victória do Clube Uceg. Infelizmente a vida escreve por linhas que não temos poder nem conhecimento e nosso Eric partiu para uma nova missão. Gosto de pensar que tudo tem um sentido e mesmo que muitas vezes não entendemos os porquês, o certo sempre será o certo. 

Gosto de pensar que preciso sempre aprender e que para eu ensinar, preciso que meus conhecimentos tenham passado pela prova prática, pela vivência. Dou graças a Deus de ser um bom aprendiz e quando a vida resolve me ensinar, consigo absorver pelo menos um pouco deste conhecimento. 

Estava feliz naquele ano, pois conseguia ver ali, que o que eu havia aprendido um dia no Japão, estava conseguindo ensinar para aquelas crianças aqui no Brasil, quem sabe um dia conseguiria deixar meu Mestre orgulhoso. 

Aprender sempre, ensinar só aquilo que se sabe......


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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nosso Caminho

O avião taxia na pista do aeroporto Internacional de Cumbica em Guarulhos e eu espero ansioso para descer e reencontrar minha família. Penso que deste dia em diante é uma nova etapa, um novo caminho a percorrer. Iniciar no Brasil um trabalho que iria exigir muita responsabilidade, mas também seria uma grande honra.
Passo pela alfândega e logo vejo o portão que separa os viajantes das pessoas que aguardam ansiosas. É uma sensação muito engraçada, diferente em todas as vezes que você passa por aquele portão. É muito bom viajar, mas é muito melhor voltar para casa.

Abraço a todos que estão ali, e desta vez quando abraço meu irmão, é como se tivesse voltado a ter o meu braço direito. Aquela era uma sensação realmente boa. Felicidade é saber aproveitar estes pequenos momentos de nossa vida e poder levá-los para todos os outros momentos.

Retornar à nossa casa, só que nova, reformada, graças ao meu pai que retornará antes ao Brasil e tinha reconstruído o que sempre chamamos de lar. Era bom estar de novo aqui.
Já no dia seguinte enviei ao Mestre Watanabe a carta de recomendação do meu Mestre por fax e falei com ele ao telefone. Imediatamente nos deu as boas vindas, o que fazia parte do caráter do grande homem que sempre foi o Mestre Watanabe e nos convidou para participar do campeonato Brasileiro de Karate-do Goju-ryu que aconteceria na cidade de Serra Negra já no final de semana.

Ali sentados na van em direção à Serra Negra, começávamos a trilhar o nosso Caminho aqui no Brasil, eu e meu irmão Horácio, irmãos de sangue, amigos  de verdade.....



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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Aguardando o retorno

Em agosto tinha participado do Campeonato Nacional da Goju-kai em Tokyo, mas infelizmente esta era minha última participação e não consegui trazer para casa uma medalha. Voltei um pouco frustrado confesso, mas torneios no Japão são assim mesmo, o nível além de ser alto e competitivo, é também volumoso. Uma chave de uma categoria ter mais de 50 participantes é comum e conquistar uma medalha é realmente um fato difícil.
Mas por outro lado, tinha prestado o exame para o 3 Dan e havia passado, o que me deixou feliz. Meu Sensei já havia me entregue também uma carta de recomendação para o Mestre Watanabe para quando eu chegasse ao Brasil. Nela, dizia que eu estava autorizado também a utilizar o nome da Associação Shizuoka Goju-kan no Brasil, fato de muito orgulho, mas também de muita responsabilidade.

Arrumava as malas, nelas, além da bagunça, muitas lembranças de todo aquele tempo em que passei no Japão. Com certeza não há preço que pague a vivência e a experiência de ter convivido com grandes Senseis nos Dojos de Hamakita, Hamamatsu e claro, do Honbu Dojo de Shizuoka em Sagara. Com cada Sensei aprendi uma coisa diferente e marcante, mas uma coisa era muito clara. Todos eles ensinam Budo pelo exemplo, pela conduta correta, pela honra e dignidade empregada em seus dias de vida, pelos atos moldados e forjados por ensinamentos da Arte Marcial Japonesa.

Passagem comprada, estava ansioso para voltar à minha terra natal, reencontrar minha família, não apenas para visitar, mas agora para pensar em não mais se separar.
No Brasil iríamos iniciar um novo legado, levar o nome do nosso Mestre e sua técnica. No Brasil um Saito já estava fazendo o seu trabalho e já se destacando em algumas competições. O Horácio apesar de estar treinando no Dojo do Sensei Wagner que era Shotokan, estava mantendo as características do estilo nos seus treinamentos de kata.

Esperando o dia do embarque, esperando para os Saito Brothers estarem juntos novamente......


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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Presente Especial

O dia do exame para San Dan se aproximava, o Campeonato Nacional Goju-kai se aproximava e o meu retorno para o Brasil também se aproximava. Era um misto de alegria, medo, ansiedade e preocupação. Nestes dias era sempre bom conversar tanto com o Sensei Nagatani (Shihan-dai do Dojo) como com o Hanshi Konomoto. As coisas pareciam sempre bem mais fáceis quando ditas por suas palavras. E desta época acredito que consegui trazer uma das mais importantes lições, que é de sempre pensar, independentemente de quanto a situação esteja ruim, pensar no que o meu Sensei faria, o que ele diria. Tento pensar em como um grande Mestre, como é o meu Sensei resolveria aquela situação. Confesso que esta lição tem sido muito útil desde que retornei do Japão.

Em um dia normal de treinamento, após terminarmos, quando estávamos limpando o Dojo, o Hanshi Konomoto me chamou e disse que gostaria de me entregar algo. Pediu para que eu olhasse dentro de uma caixa que estava no chão, próximo à estante. Olhei curioso e dentro tinha um protetor antigo de karate (bogu), estava completo com o Men (capacete) o Do (protetor de tórax e virilha) e o kote (protetor de mão e antebraço). Achei o máximo, pois nunca tinha visto um ao vivo, apenas em fotos antigas. Fiquei ali admirado, reparando nos detalhes, imaginando de como eram os treinamentos de kumite antigamente, quando utilizavam aqueles protetores. Após ficar um tempão ali admirando, coloquei-os de volta na caixa. Então o Hanshi se vira para mim e diz: É seu! Para você levar ao Brasil.
Na hora nem acreditei, pensei até ter entendido errado. Fiquei sem saber o que fazer, agradeci e agradeci de novo. Peguei a caixa com todo cuidado para guardar no porta mala do carro, não sabia o que dizer e fazer ao certo. Apenas agradeci com toda sinceridade, era um presente sem igual.

Passaram-se quinze anos e olhando para o bogu hoje, continuo ainda com aquela mesma sensação, realmente foi um presente Especial......

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Japan Karate-do Federation

Participar da etapa estadual classificatória da Província de Shizuoka da JKF (Japan Karate-do Federation) era uma experiência e tanto. Ali estavam todos os melhores atletas da província buscado uma vaga para disputar o Campeonato Nacional.

Eventos no Japão são famosos por sua pontualidade e organização perfeita. Poder acompanhar estes campeonatos de perto foi muito valioso para meu aprendizado sobre organização de eventos.

Tinha conseguido baixar meu peso, graças à uma dieta de maçã e chá verde e corridas todos os dias de manhã. Estava abaixo dos 65kg, importante para a categoria.

Confesso que não gostei da minha participação, venci apenas a primeira luta, não sendo suficiente para avançar na categoria. Perdi a segunda luta por uma diferença de um "wazari".
No kata passei pelas eliminatórias, ficando entre os oito e na rodada final (que ainda era por notas) acabei ficando em quinto lugar.
A competição aconteceu no mês de junho e queria muito ter conseguido uma classificação melhor, para poder voltar ao Brasil com aquele título. A viagem de volta já estava marcada para Setembro e agora só havia o nacional da Goju-kai e o exame para Sandan em Agosto.

Um dia que tive que voltar para casa sem meu objetivo.....

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Contando os dias

Voltar ao Japão, para falar a verdade, apenas o fato de estar longe da minha família é que realmente pesava. Voltar a um país que tem infra-estrutura, transporte público que funciona de verdade, povo educado, e que o seu trabalho é valorizado a ponto de não ter que ficar calculando se o dinheiro irá dar até o final do mês. Coisas de países de primeiro mundo e que infelizmente o Brasil está a anos luz disso tudo.

Retornar ao Dojo do meu Sensei e nos Dojos onde eu dava aulas foi muito bom, pois ali eu tinha conquistado uma das coisas mais importantes que um ser humano pode ter: a Confiança. Ali eu já não era um estrangeiro, um brasileiro, ali eu era um Karate-ka e todos me respeitavam por isso, era muito bom estar ali novamente.

Contei ao meu Sensei sobre os planos de voltar definitivamente ao Brasil e se ele me permitiria utilizar o nome da Associação Shizuoka Goju-kan. Prontamente ele disse que sim e que escreveria uma carta de recomendação ao representante do estilo Goju-ryu no Brasil, Hanshi Ryuzo Watanabe. Hanshi Ryuzo Watanabe era amigo pessoal do meu avô, pois ambos eram da Província de Fukushima e no Brasil participavam da mesma Associação. Meu Sensei disse que quando ele e o Hanshi Watanabe se encontravam, eles conversavam, mas que era bem difícil o entendimento, disse ele rindo. É que o japonês falado em Fukushima tem um tom carregado e com vários verbetes próprios da Província, quase se tornando um dialeto.

O Sensei disse também que eu faria o exame para San Dan em Agosto, um mês antes de eu retornar ao Brasil.

Mais do que nunca, agora eu estava contando os dias......


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segunda-feira, 26 de março de 2012

Voltar para Retornar

Minhas curtas férias estavam acabando. Estava novamente prestes a embarcar para o Japão, novamente um sentimento de tristeza, porém, desta vez com um plano de retorno prévio.
Despedidas em aeroportos são sempre tristes, ficar novamente longe da minha família só tinha significado agora porque já havia um plano concreto para minha volta definitiva para o Brasil.

Curtir os momentos com meu brother Horácio era o que me restava a fazer. Treinarmos juntos antes de partir novamente rumo ao Japão.

Era difícil imaginar naquela época o que o futuro nos guardava. Além de uma cumplicidade de sangue, tínhamos uma relação de amizade muito forte. Uma amizade que se fortaleceu com o tempo, com os sacrifícios e com os obstáculos. Talvez nesta época sonhava em um dia honrar o nome do nosso Mestre no Brasil, mas com toda a inexperiência de um jovem de vinte e cinco anos.

Voltar ao Japão, mas com a certeza de que uma nova jornada se iniciaria quando retornasse definitivamente ao Brasil.....

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Brasil sempre Brasil

Uma coisa é morar no seu país, outra coisa é "passear" no seu país. Passear, fazer turismo, é bom, é relaxante, é despreocupante e comigo não era diferente. Era muito bom poder rever os lugares onde passei a infância e adolescência, os amigos, os parentes, tudo que era ruim do meu país parecia não existir mais.
Claro que esta é uma visão bem simplista e fora da realidade, possível apenas para meros viajantes, como eu. O país continuava com seus problemas sociais, jurídicos, de violência, de corrupção, mas continuava a ser o meu país, onde eu me sentia realmente em casa.

O fato também de ter o tempo livre para poder fazer tudo isso também contribuía de forma bem benéfica! Trabalhava no Japão seis dias por semana, 15 horas por dia dentro de uma fábrica e quando não estava nela, era em casa ou no Dojo. Ter tempo para pegar o carro, ir na casa dos amigos, jogar conversa fora ou passear em algum lugar, era realmente muito bom.

Treinávamos também, mas nem de perto a quantidade que tínhamos no Japão. Iria ficar quarenta dias no Brasil e como estava chegando ao final, parecia que tinha que aproveitar o máximo possível, tudo parecia bom e barato.

Já havia ganho cinco quilos desde que chegara ao Brasil, muita comida boa e a vida de não fazer nada a não ser se divertir. O problema é que eu só teria vinte dias para perder tudo quando chegasse ao japão, pois tinha o Campeonato Estadual de Shizuoka e lá a regra é realmente seguida e estar fora do peso, significaria ser desclassificado.
Mas, por enquanto queria curtir estar com meu brother Horácio e minha família, o Brasil era o meu lar e estava decidido a voltar definitivamente para cá.



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segunda-feira, 12 de março de 2012

Passeio em casa

Fazer as malas para ir ao Japão foi um misto de sensações. De medo por estar indo sozinho a um país até então desconhecido, de euforia por ser jovem e querer descobrir o mundo e de tristeza por ter que deixar a família, os amigos e o meu lar.
Fazer as malas para voltar ao Brasil, mesmo que a passeio era uma sensação de puro entusiasmo.
Quando chegamos aqui, temos uma sensação estranha, de é estar em um lugar estranho dentro da sua própria casa.
Voltar a ver as ruas que cresci, os amigos, os vizinhos, era realmente uma sensação muito boa.
Mas o melhor de tudo era poder estar perto da minha família.

Pudemos voltar a tradicionalmente comer todos juntos, conversar, era realmente muito bom estar de volta.

Entre as muitas coisas que fazíamos, eu e o Horácio treinávamos na Academia do Sensei Wagner Piconez, meu primeiro professor. Era muito bom retornar aos treinos aqui no Brasil também, apesar de agora sermos de estilo diferentes, os princípios eram ainda os mesmos.

O Horácio havia crescido, estava com cara de adolescente. Apesar da nossa distância, nada havia mudado, continuávamos a ser amigos, irmãos de sangue, irmãos de treino. Mas também nos divertíamos, passeávamos, era como redescobrir o nosso país.

O melhor de tudo era que o meu tio Tadao era Diretor em um clube da colônia japonesa e havia uma grande possibilidade de quando eu voltasse definitivamente ao Brasil, eu inciasse o departamento de Karate no clube.

Voltar definitivamente ao Brasil, os planos pareciam estar dando certo.....

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segunda-feira, 5 de março de 2012

Traçando o caminho de volta

Um novo ano inicia-se e com ele os planos de retornar à minha terra Natal. O ano de 1995 havia terminado de forma esplêndida e eu havia conseguido conquistar o título do Estadual Goju-kai da Província de Shizuoka.
Por telefone ou por carta, ficava sabendo das notícias do Brasil e também de como estava minha família. O Horácio estava treinando no Dojo do meu primeiro Sensei, Wagner Piconez e apesar de ser um Dojo do estilo Shotokan-ryu, ele estava se saindo muito bem com a adaptação dos treinamentos.

Se tudo desse certo, iria até o Brasil no mês de abril ou maio para ver a situação que se encontrava o país e analisar quais as opções viáveis de negócios para um retorno sustentável.

Mas isso ainda levaria alguns meses, e até lá a palavra diária era treino, muito treino. Para o retorno ao Brasil, eu almejava possuir conhecimento suficiente para poder prestar o exame para San Dan, o que não seria fácil.

Um fato engraçado que acontecia no treino, era que o Nagatani Sensei sempre me perguntava coisas sobre o Brasil e se era possível viver dando aulas de Karate. Eu sempre dizia à ele, que sim, era possível, que eu conhecia muitos Senseis no Brasil que viviam de suas aulas. Ele ficava impressionado com isso, já que no nosso Dojo por exemplo, era mais um trabalho filantrópico, já que os valores arrecadados com a contribuição dos alunos, cobria apenas as despesas do Dojo. Nenhum Sensei ali recebia para dar aulas. Ele então soltava uma risada e dizia que bom que eu poderia viver então de Karate no Brasil.

Mas isso também era um plano, era preciso ainda batalhar muita coisa para que isso pudesse se tornar um dia realidade.

O bom era que um Saito já estava fazendo nome no Brasil......

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um Dojo, Honra e Fidelidade

No tempo em que vivi no Japão, o Dojo de Sagara-cho era como se fosse um segundo lar. Lá, além de aprender as técnicas de Karate-do Goju-ryu, aprendi as lições mais importantes da vida. Sempre acreditei e desde criança gostava, confesso, das lendas que envolvem o mundo das artes marciais. Da honra que os praticantes possuíam para com seus ideais, da lealdade para com a verdade e a justiça. Estar ali naquele Dojo me fazia retornar a esta época de criança, honrar meu Sensei, honrar seus ensinamentos, ser leal a ele e àquele Dojo. Penso que esta é a verdade que cerca a prática de uma arte marcial tão nobre, esta lealdade, esta honra.

Um Dojo é um local sagrado de treinamento, não é apenas um lugar para se praticar exercícios. Tudo que envolve sua prática ali dentro, a energia, as crenças e os Deuses. Desde o "Rei" que se faz ao adentrar no Dojo, até o "Rei" que se faz ao sair, você está sob esta força grandiosa. Ali no nosso Dojo havia o Shinzen e ao lado um "Daruma" que no Japão representa a perseverança. Konomoto Senei é, além de Sensei de Karate, também um "Bonsan", um monge Zen. Por isso estar ali, era uma experiência única.

Devemos ser leais aos nossos Senseis e ao nosso Dojo, sempre e para sempre.

O Campeonato Nacional em Tokyo aconteceu em Agosto, mas não havia conseguido nenhum bom resultado nem no Kata, nem no kumite. Estava agora me preparando para o Estadual da Goju-kai, que iria acontecer no mês de novembro. Queria obter um bom resultado, queria dedicar o resultado ao Sensei, ainda mais que o Campeonato acontecia na cidade onde ficava o Dojo, em Sagara-cho.

Treinar, era só este o pensamento, ansioso esperando......

Shizuoka Goju-kan saigo made ni!!!!!

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Mestres

Treinando agora com foco no Zen Nippon Karate-do Goju-kai Taikai (Campeonato Nacional de Karate-do Goju-kai) que seria realizado no ginásio Yoyogi, em Tokyo no mês de Agosto, não tinha tempo para ficar pensando no passado. O futuro era o que me motivava, e para que o futuro fosse bom, precisava trabalhar duro no presente.
No campeonato, o evento em si, já é um show a parte. Tudo organizado, programação do evento na entrada do ginásio para cada participante, com horários e kotos das categorias estipulados criteriosamente, a educação geral de todos os participantes e o bom senso comum, nenhum papel ou sujeira fora ou dentro do ginásio.

Um evento com aproximadamente mil participantes, sem atraso, sem erros, sem outra palavra, a não ser "impecável", assim são os eventos da Goju-kai no Japão.
Outro ponto alto do evento, além das finais, eram as apresentações, geralmente executada pelo Saiko Shihan Yamaguchi Goshi, que deixava sempre a todos extasiados, o silêncio total no ginásio e o poder que o "Ki" era emanado, tamanha era a concentração.

Poder estar ali representando o Dojo do Sensei Konomoto, era para mim uma grande honra, apesar de nem sempre conseguir um bom resultado, a concorrência nesta categoria era realmente grande e de se respeitar, já que ali tinham nomes como Saito Akihiro, Horst Baumgürtel, Yamaguchi Masatoshi, Kamogawa Naoto, entre muitos outros (aproximadamente uns cem) e sabia que meu nível ainda não estava a tal altura. Estar ali, mesmo perdendo era empolgante, pois tudo era material de estudo para crescer, para melhorar, para evoluir.

Outros Mestres como Kikuchi Sensei, Sakamoto Sensei, Futawatri Sensei, se apresentaram e os vendo pensava: "Um dia terei também conhecimento e sabedoria, um dia quero chegar a ser um Mestre....."

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lembranças

É engraçado como não temos controle de nada em nossas vidas. Me lembro da saudade que sentia de minha terra Natal e de minha família, quando viajei ao Japão atrás de meus sonhos. Me lembro também da alegria ao reencontrá-los. Agora, estava ali fazendo fazendo as mesmas coisas, percorrendo os mesmos caminhos, porém sozinho novamente.

Mas, não era hora de ficar sentindo pena de mim mesmo. Afinal de contas, estava ali por uma única razão: me tornar melhor. Então era preciso me esforçar par tal.
Os treinos sem o Horácio não eram os mesmos, confesso, mas por outro lado a vontade de aprender continuava a mesma. Continuava a ministrar os treinos nos Dojos de Hamakita e também em Hamamatsu e aos sábados no Dojo do meu Mestre na cidade de Sagara. Buscava aprimorar meus conhecimentos tanto na parte tradicional, quanto nas técnicas de competições.
Um fato interessante no Japão é que não se faz tanta distinção quanto à tradição e à competição como costumam fazer aqui no Brasil. Lá a arte é mais importante, e o fator competição é baseado apenas pelo fato de se seguir as regras e existir um vencedor e um perdedor. Os conceitos tradicionais são mantidos nos treinamentos nos Dojos, pois lá, Karate-do é um só, sem esta separação sem sentidos que muitas vezes ocorre por aqui.

Agora, nos treinos o que me restava eram lembranças e na verdade isso me mantinha motivado, queria voltar também à minha terra Natal, mas precisava estar pronto. Não sabia se isso levaria muito tempo, mas sabia que iria conseguir.

Conseguir a autorização do meu Mestre para sermos uma filial da Shizuoka Goju-kan no Brasil, esta era a meta daqui para frente......

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Uma nova página

Depois de ver toda minha família partindo, perder meu companheiro de treino de todos os dias, a única coisa que me restava agora era voltar para o meu apartamento. A volta dentro do carro foi com um silêncio profundo.
Chegar no apartamento vazio me devolvia a uma realidade que eu já havia provado não ser boa. A solidão.
Estava sozinho novamente, por isso era preciso pensar em como conseguir alcançar meus objetivos o mais rápido possível e voltar também à minha terra Natal.
Confesso que era difícil sair para treinar, seja nos parques que íamos, ou nos Dojos que eu ia dar aula, tudo havia mudado.
Treinar, treinar muito, esta era a única coisa que importava agora. Os Senseis como sempre me apoiavam e no que fosse preciso eu sabia que podia contar com eles.

Uma página de nossa história estava sendo virada e uma nova estava sendo escrita. Queria agora não apenas levar o conhecimento do meu Mestre para o Brasil, queria levar também o eu nome.
Não sabia se isso seria possível, mas queria mostrar a ele todo o meu agradecimento por todo o conhecimento que ele me transmitiu, não apenas as técnicas apuradas, mas no sentido da vida, no modo de se ver o mundo. Isto não tinha preço para mim e a minha gratidão à ele também.
Treinar para quem sabe eu poder levar o nome Shizuoka Goju-kan para o Brasil, esta era a partir de então o meu objetivo.

Os ventos nos levam a lugares distantes e muitas vezes nos trazem de volta, esta era a nossa história, este era o nosso caminho e eu iria me empenhar ao máximo para conseguir......

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Uma nova etapa

Por mais que eu não pensasse na separação da família, o dia acabou chegando.
A caminho do aeroporto, tentava manter o tom descontraído, afinal de contas estava prestes a ficar novamente sem as pessoas que tanto amava.
Confesso que não consigo me lembrar muito dos pensamentos que tive naquela época, até porque sei que procurava não pensar em nada. Já havia passado por aquela situação uma vez quando deixei-os no Brasil e vim para o Japão, agora a situação era inversa, eles voltariam ao Brasil e eu ficaria no Japão. Porém, agora não era apenas o fato de sermos uma família, eu estava também perdendo um parceiro, um grande companheiro.
Abraçá-los novamente na porta do embarque era algo não só dolorido, mas é como se todo sentimento estivesse se esvaindo de dentro do coração e dentro dele ficasse somente o vazio.
Era necessário a minha permanência no Japão por mais um tempo, sabia disso, mas era difícil conter a emoção daquela despedida.
Abracei minha mãe e novamente estávamos nos separando, sem palavras, apenas a força do abraço e as lágrimas a escorrer pelo rosto. É difícil abrir os braços, pois nesta hora você sabe que isto significa deixar partir. Foi assim que abracei também minhas irmãs Simone e Melissa, era tudo muito intenso, era um sentimento que parecia rasgar a pele.
Ao abraçar meu irmão, sentia como se parte de mim estivesse sendo arrancada, disse a ele: "É como se estivessem arrancando meu braço direito......". Dor e vazio, era o que ficaria.
Vê-los partindo reforçou ainda mais o significado de minha decisão de ficar. Precisava não apenas treinar, mas tinha que me tornar o melhor.
Pensei baixinho, enquanto eles desapareciam de minha visão: "Ficarei aqui e me tornarei bom o suficiente para retornar ao Brasil junto à vocês e honrar nossa família, meu Mestre e nossa escola."
E, em companhia do silêncio, retornei ao apartamento, que agora estaria mais vazio.....


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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Decisões e opções

Nos treinamentos tentava não transparecer o fato de que iríamos nos separar novamente. A maior preocupação era tentar passar o máximo possível de informações a respeito da filosofia do nosso karate-do, de que era necessário uma força de vontade interna, que isso precisava brotar de dentro da alma. O Horácio havia conquistado além dos títulos em diversos campeonatos, o fato de se formar Shodan-ho em apenas três anos, aos treze anos. Ele não podia perder tudo isso ao retornar ao Brasil.
Claro que isso tudo não era ensinado a ele de forma teórica, era sim com muito treino e esforço. Talvez ele mesmo não entendesse o propósito de tudo aquilo, mas era de suma importância que o espírito do Budo, o espírito guerreiro fosse gravado em seu dna.

Seguíamos em nossos treinamentos em todos os Dojos e a notícia que ele iria retornar ao Brasil, causou tristeza nos Senseis e também nos alunos e pais, que com certeza haviam se transformados em amigos. Claro que, também sentiam-se felizes porque sabiam que o Horácio (Hora-kun como o chamavam) iria retornar a sua terra natal e levaria vários ensinamentos adquiridos ali.

Queria também retornar ao Brasil, agora ainda mais com minha família prestes a partir. Mas sabia também que precisava de mais conhecimento para que pudesse honrar o nome do meu Sensei e poder abrir um Dojo no Brasil, a opção era ficar e treinar mais.

A data da separação estava próxima, mas era preciso ser forte, era preciso acima de tudo ser um karate-ka.....

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